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MOVIMENTO ECUMÊNICO INTERNACIONAL DE ORAÇÃO PELA CURA DA HUMANIDADE

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Association Maranatha

14, rue Alphonse Daudet

75014 Paris France

MOVIMENTO ECUMÊNICO INTERNACIONAL DE ORAÇÃO PELA CURA DA HUMANIDADE

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A peregrinação "Maranatha" em Terra Santa

Acontecimento extraordinário

 

O numero dos participantes e sua diversidade 

Sonhado em 2011, projetado em 2012, anunciado publicamente em 9 de março de 2013 na Basílica de Koekelberg e difundido em seguida na Internet, a peregrinação “Maranatha” na Terra Santa, de 19 a 27 de agosto ultimo, finalmente aconteceu reunindo mais de 600 pessoas: 550 no começo com mais 50 Argentinos os quais somente conseguimos encontrar nos últimos dias, eles prolongaram um pouco sua peregrinação após nos encontrarem. Raras são as peregrinações que reúnem tantas pessoas ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Isso foi possível graças a competência da instituição francesa “Routes bibliques”, que saúdo nesta ida. 

Não custa dizer que estamos raramente todos concentrados no mesmo lugar e no mesmo momento. As assembléias plenárias limitaram-se aos encontros de ensino, as celebrações da missa e a travessia do Lago Tibériade, durante o qual os três grandes barcos navegaram lado a lado. O restante dividia-se em grupos, sabiamente organizados em turnos. Entre os peregrinos uma dezena de padres. O que foi precioso para a celebração do sacramento de reconciliação, em Belém, no Campo de Bergers.

A diversidade foi o resultado. Em sua maioria Europeus, entre os quais grande parte eram Belgas, representando as três línguas nacionais, e Franceses, mas sem esquecer os Poloneses, os Croatas, os Espanhóis, os Portugueses, os Italianos, os Britânicos e algumas outras nações com menor numero de participantes. Os quatro continentes estavam presentes, sobretudo a América do Sul, com peregrinos da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, do Chile, do Peru, da Colômbia e do Brasil, e a América do Norte, com um grupo dos Estados Unidos e outro do Canadá, grande parte do Québec. Havia também alguns Africanos e Asiáticos. 

Não custa frisar que o sistema de traduções simultâneas, graças aos fones de ouvido, funcionou muito bem. Partindo do francês, a língua mais representada, ou do árabe para o francês, indo para o neo-islandês, o espanhol, o português, o inglês, o polonês e o croata. Grato aos tradutores voluntários!   

 

As intenções da peregrinação

A intenção da prece que impregnava o conjunto da peregrinação era, como durante a grande reunião de 2500 pessoas na Basílica do Sacré-Coeur de Koekelbelg em março ultimo, a conversão do coração humano- começando pelo nosso- e consequentemente a cura do coração humano. Como exposto no livro que publiquei nesta ocasião: O coração da Boa Nova. Um convite a orar e a engajar-se para a cura da humanidade através da misericórdia divina, trata-se de orar e engajar-se, em todos os níveis, face aos impasses gravíssimos aos quais está mergulhada nossa civilização. 

Existe uma cura do coração humano e da humanidade que somente poderá vir do Alto, esta prece e este engajamento vão também em direção a Jesus ressuscitado, implorando a segunda vinda, na glória, como fazemos em cada Eucaristia, após a consagração. De onde vem esta designação geral do movimento e da peregrinação, sobre o nome de “maranatha-conversão”, o primeiro nome significa, em aramaico, a língua de Jesus: “Vem, Senhor!” (cf. Ap 22,20)

Foram católicos que organizaram a peregrinação. Mas, desde o começo, nossa intenção era dar uma conotação ecumênica e mesmo inter-religiosa. E se, para esta primeira peregrinação- pois, com a graça de Deus, haverá outras- escolhemos a Terra Santa, é porque emblematicamente lá estão os desafios que gostaríamos de encontrar. O país de Jesus é, diríamos, um paiol de pólvora, sempre pronto a inflamar-se, e o conjunto do Oriente - Médio é um vulcão em erupção ou suscetível de acordar a qualquer momento. Para acrescentar, a Terra Santa junta no mesmo território as três grandes religiões monoteístas do planeta: o Islamismo, o Judaísmo e o Cristianismo. Por esta razão existe a necessidade do dialogo inter-religioso. E para aqueles que são cristãos, coexistem, nem sempre pacificamente, as diversas confissões (ortodoxas, católicas, protestantes e anglicanas) e os diferentes ritos (grec-melkite, maronite e latina).

 

O encontro prioritário com os católicos da Terra Santa

Globalmente nossa segunda finalidade era encontrar, aprender a conhecer e levar todos os cristãos da Terra Santa a algumas confissões e ritos, deles já conhecidos, contamos em nosso percurso ter encontrado majoritariamente católicos.

Não citarei aqui nossas visitas aos Lugares Sagrados. Como todos os peregrinos da Terra Santa, oramos e celebramos nestes locais. Assinalo somente que sucessivamente nos hospedamos em Nazaré, na Galiléia; depois em Jerusalém, na Judéa; depois em Belém em território palestino. Com uma pequena delegação pude conhecer todos os padres católicos da Terra Santa: o Líder espiritual latino de Jerusalém, sua Beatitude Fouad Twal, assim como seu auxiliar, Monsenhor Shomali; o arcebispo grego-católico, Monsenhor Chacour; o arcebispo maronite da Terra Santa e Monsenhor Marcuzzo, padre auxiliar do Patriarcado latino de Israel. 

Contudo o mais impressionante foram os grandes encontros onde oramos o terço, celebramos a Eucaristia e adoramos o Santo Sacramento com os católicos do lugar. Éramos mais de 2.000 católicos, essencialmente de origem latina, na Basílica da Anunciação, em Nazaré. Durante a missa presidida por Monsenhor Marcuzzo. 13.000 pessoas (segundo números da polícia!) em Mi’lya na Galiléia, em um grande campo, esplendidamente decorado por organizadores do lugar, essencialmente os grego-católicos, a missa foi presidida pelo arcebispo católico melkite. Haviam 6.000 participantes em Belém, na sala de esportes de uma escola e nas ruas circundantes para a missa presidida pelo pároco latino de Jerusalém, Monsenhor Fouad Twal, com a presença da prefeita de Belém, Madame Vera Ghattas Baboun, uma mulher de remarca. Nesta celebração o país foi consagrado ao Coração Imaculado de Maria. 

Tivemos também a oportunidade de orar com aproximadamente 20.000 de nossos irmãos e irmãs cristãs da Terra Santa. Isso nos tocou. Foram celebrações um pouco longas. Com a adição de cantos, o terço, a missa e a adoração ou procissão eucarística, isto totalizando uma base de 4 horas, em uma atmosfera muito calorosa assim como quente! Os nossos irmãos cristãos que responderam a nosso chamado sentiram-se profundamente encorajados pelos Ocidentais que vieram juntar-se a eles. A situação deles não é nada fácil, por esta razão muitos são tentados a imigrarem, e para aqueles que permanecem a vida fica bem mais difícil. 

Nas assembléias estavam também, sempre presentes, os Ortodoxos, por vezes com um representante oficial de sua Igreja; os Mulçumanos e os Judeus, interessados em saber a finalidade de nossa peregrinação. Em Mil’ya contabilizamos a presença de uma multidão de aproximadamente 14.000 pessoas, incluindo nossa peregrinação; a polícia de segurança israelense estava fortemente presente, para canalizar a fluidez de todos, mas também pontualmente para vigiar esta multidão e prevenir conflitos eventuais.  Militares um pouco ríspidos no começo. Mas, o clima do menino Jesus ajudando, assim como nossos gestos amigáveis aos seus olhares, fizeram com que fossem progressivamente amolecendo. Calorosos apertos de mão foram trocados no decorrer deste longo dia. Alguns peregrinos até contaram-me que no momento da comunhão, tocados pelo ambiente, alguns soldados israelenses aproximaram-se e... comungaram, o padre não sabia como reagir. Presumo que o Senhor precisou ajudá-los!

Muitos cristãos da Terra Santa, e mesmo algumas autoridades religiosas, confiaram-me que no Natal, na Páscoa ou em outras grandes circunstâncias os católicos da Terra Santa (uma minoria da população!) com felicidade reúnem-se. Mas, o que aconteceu nunca tinha sido visto. Com exceção, certamente, durante as visitas do papa... Dou graças, então, a uma jovem católica israelense de origem libanesa, Charbel Maroun, que através de minha recomendação tratou com as autoridades religiosas e civis locais, intencionando que estes grandes encontros possam acontecer.  

 

O ponto "Medjugorje"

Durante toda esta peregrinação estive confrontado com uma situação delicada. Uma senhora muito me ajudou a organizar esta peregrinação, é por sinal uma antiga organizadora de viagens, Sabrina Covic, ela é Croata, residente em Paris e... em Medjugorje onde é muito ligada as pessoas que dizem ter visto a Virgem Maria. Agora a mensagem de Medjugorje esta muito expandida no mundo, incluindo a Terra Santa. Uma parte notável de nossos peregrinos recrutou-se, graças a Internet, partindo desta fonte. 

Desta forma, Sabrina convidou uma das “videntes” (com reserva), Vicka, que nos acompanhou. O que significa que, durante os grandes encontros, o terço era interrompido entre 18h40 por que muitos esperavam a aparição da Virgem. Tenho razões pessoais para acreditar que estas aparições são autênticas. Mas sei que o pároco do lugar, o padre de Mostar, na Bósnia-Herzegovina, é completamente contra os acontecimentos. O que não impediu Roma de sentir-se ligada a um só julgamento, desta forma foi instituída uma Comissão internacional para estudar o fenômeno. Teremos o resultado em breve, segundo alguns será neutro em vista mesmo de ser benevolente, sem poder ainda arbitrar de maneira peremptória, nem positivamente, nem negativamente, por que o fenômeno está ainda em processo. 

Observei durante o encontro uma posição reservada da Igreja nesta questão. O que não impede a presença de uma Vicka, provada em sua saúde, sempre sorridente, totalmente dada aos cristãos locais, especialmente aos doentes, ela certamente contribuiu para atrair as multidões, por vezes com uma amável algazarra, bem mais conforme com a mentalidade croata e os costumes orientais do que com nossos sóbrios e frios hábitos belgas...

 

Outra surpresa, o ecumenismo... 

Outro componente, que nos é novo, foi proposto quando estávamos em Belém e nos preparávamos para viver na Igreja Sainte-Catherine nossa noite de prece habitual, somente com o grupo « Maranatha »: ensinos, terço, missa e adoração eucarística. Vicka não estava presente neste dia. Por outro lado, algumas horas antes, eu havia cruzado na rua Vassula Ryden, muito próxima da Igreja católica, com uma Grega ortodoxa, também em peregrinação na Terra Santa acompanhada de 700 peregrinos cristãos, de todas as confissões, entre os quais uma boa centena de bispos e padres. 

Os escritos de Vassula, presumidamente inspirados pelo Senhor - li alguns e considero muito bonitos - têm controvérsias, tanto em seu conteúdo quanto em sua origem, sobrenatural ou não. Mesmo sendo ela ortodoxa, a Congregação pela doutrina da fé, presidida no momento pelo Cardial Ratzinger, examinou seus escritos e publicou uma primeira nota que Vassula considerou relativamente severa, depois, após serem escutadas suas explicações, uma segunda nota, mais positiva, mais sempre com prudentes ressalvas, foi divulgada. Em nome de seu grupo o pedido me foi endereçado, de que pudessem juntar-se a nós para a  prece da noite. Não poderiam ir a missa, o grupo  “A verdadeira vida em Deus” (nome do movimento fundado por Vassula) já tinha compromisso pela manhã, então pediram para participar da prece do terço. Pela segunda vez estava face a algo “fora do combinado”, totalmente “apimentado”! 

Como poderíamos recusar de orar o terço com um grupo tendo exatamente as mesmas intenções de prece e preocupação ecumênica que nós, com um acréscimo, o ardente desejo que em breve todos os cristãos possam festejar a Páscoa na mesma data?  Efetivamente este encontro de todos passou-se de forma admirável, com uma fervente comunhão dos corações e com satisfação geral.   

 

O trabalho e o testemunho dos cristãos no lugar

Durante os dois últimos dias em Belém, multiplicamos os contatos com os cristãos de credo: o Carmel, onde viveu a Benevolente Mariam, a pequena Árabe; os Monges de Emmanuel, com sua acolhida sensacional (muitos se lembram do lavamento dos pés!), a Creche da Santa Família, que acolhe crianças mulçumanas de 0 a 7 anos que foram abandonadas sem identidade, por terem sido concebidas fora do casamento; a paróquia e o Seminário de Beif Jala. 

Contudo, o mais emocionante foi sem duvida orar aos pés deste murro que separa o território israelense do território palestino. Um murro que simboliza do lado Judeu o medo representado pelo terrorismo e do lado palestino o sentimento de uma humilhante exclusão. Nós pedimos a Jesus em relação a esta causa, para ele que fez cair o murro da raiva separando os Judeus e os pagãos, fazendo com que entrem em uma mesma Igreja (cf. Ep 2,14-18) e para “Marie-qui-fait-tomber-les-murs” (Maria-que-faz-cair-os-murros), representada em uma parte do murro, em Belém.   

Em nosso retorno, indo para o aeroporto, paramos em Abu Gosh, onde o Pai Olivier, beneditino, nos falou da sensação emocionante de estar com cristãos, mas também mulçumanos e Judeus, compreendendo os Judeus muito ortodoxos. A nota de fraternidade universal, resumindo bem as intenções que temos, foi concluída durante a peregrinação que nos deixou um pouco cansados (um pouco) e satisfeitos.

Mgr A.-J. LÉONARD,

 

Archevêque de Malines-Bruxelles.